Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar,
(nem o torpor do sono que se espalha).
Quando pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha
a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida
com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.
Carlos Pena Filho
Mari delirou às [11:24 AM]
Mari delirou às [6:22 PM]
Mari delirou às [4:17 PM]
Mari delirou às [4:11 PM]
Mari delirou às [11:04 AM]
Mari delirou às [3:44 PM]
Mari delirou às [4:17 PM]
Mari delirou às [10:08 PM]
Mari delirou às [10:50 AM]
Mari delirou às [3:41 PM]
Mari delirou às [12:14 PM]
Mari delirou às [8:42 PM]
Mari delirou às [3:43 PM]
Mari delirou às [8:19 AM]
Mari delirou às [3:53 PM]
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Mas a roda continua rodando.
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É nos acessos de Amélia que me batem e me rendem horas de ocupação, prazer, gula, dedos cortados e queimados. No gosto de descobrir um nova coisa em que sou boa, quando eu mais precisava de uma. Próximo passo: aceitar encomendas, afinal de contas, se Letras não der certo pra mim...
É em exercer minha máxima liberdade de ir e vir. De estar aqui hoje e ali amanhã, e de fazê-lo como e quando eu desejar. E ter sempre a consciência tranqüila e uma segurança metade nata metade conquistada que me fazem sair dirigindo sozinha pelo mundo, conhecendo uma pessoa diferente em cada esquina, em cada ônibus de viagem, em cada bar, em cada casa.
É em gozar de um carnaval anti-carnavalesco e delicioso, quase the best ever, com tudo o que se tem direito, incluindo um bloquinho em plena manhã de quarta-feira de cinzas. Um carnaval metade aqui, metade ali. Metade festa, metade sono e trabalho. Inteiramente delicioso.
E agora esta terça-feira gorda linda e chuvosa passa por mim, prenunciando uma noite longa, mesmo que "dentro nós, ao contrário, tudo era claro e luminoso", bem ao gosto de Bandeira. Amanhã as máscaras caem, mas eu estou viva. Não estou triste nem alegre - estaria mentindo se dissesse que um sorriso mora no meu rosto o tempo inteiro. Mas viva, viva, e com uma certeza inconsciente de que o ano, que já não é mais tão novo assim, corre por minhas veias, corre bem e fluido, trazendo bons presságios. De vida.
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Agora indo pra outra estrada, a da Marisa Monte, alguém lembra dessa música? Tão lindinha, né? Comprei no Natal um cd dela (sim, eu ainda compro cds e com orgulho) de músicas igualmente lindinhas e antigas. Mas essa se destacou não sei por quê, talvez porque seja a mais popzinha, fica na cabeça com mais facilidade. E foi só olhando pro encarte que descobri que ela é também do Nando Reis (Obs. A composição é dele, da Marisa Monte e do Carlinhos Brown). Eu não fazia idéia disso. E aí tudo fez sentido. Preciso dizer que adoro Nando Reis pelo simples e único motivo que ele escreve as declarações de amor mais bonitinhas e singelas do pop rock brasileiro. (Aproveitando a deixa, se existe algum admirador secreto meu que lê este blog - se é que alguém, além do meu irmão gêmeo, o lê - e quer me conquistar: use Nando Reis!) Gosto delas porque são cotidianas, simples, tipo um "ela vem e ninguém mais bela vem em minha direção", da minha música homenageada, ou então um "estranho seria se eu não me apaixonasse por você", ou "eu trocaria a eternidade por esta noite", ou a lindeza inteira intrínseca como um todo que vem de dentro que é "Luz dos olhos". Mas claro que a música da estrada não seria tão bela se fosse cantada por outra voz. Marisa Monte é o máximo, e embora os novos cds dela não tenham feito a minha cabeça (mas se alguém quiser me dar de presente, eu aceito!), eu fico feliz por finalmente ter criado vergonha na cara e comprado um cd dela depois de tantos anos de vontade.
Enfim, já falei das minhas estradas, e nem vou tirá-las de lá por enquanto só pra celebrar este momento. Cansei de escrever. Da próxima, me lembre que eu tenho uns filmes pra comentar... "Mais estranho que ficção" é ótimo, muito criativo e teoria literária pura, imagine se eu não ia gostar? Inclusive, se alguém quer ver, eu até veria de novo! É isso, até, axé, beijo, tchau!
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Mário Quintana
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
A 2007, à noite brasiliense, melhor que nunca em pleno janeiro, e ao banheiro de bar onde encontrei esse poema.
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Manual para atropelar cachorros, de Daniel Galera.
É, Galera, acho que sofremos todos do mesmo mal. Dúvida cruel: largar ou não largar o trabalho? E advinha onde é que estou lendo e escrevendo tudo isso, desenvolvendo uma tendinite??
Mas o final de ano está aí. Ai, que coisa horrorosa saber que algum descanso só é possível durante as festas de final de ano. Alguém por favor me tire dessa cidade por algumas semanas antes que ela fique completamente desértica!
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Indico também, embora a presença masculina seja um pouco maior, mas também fala de mulheres, fantasmas e afins, é Vestido de Noiva, de Joffre Rodrigues (filho do Nelson Rodrigues, olha que legal, a obra passa por gerações) . Dizem que é igualzinho à peça, mas acredito que isso seja mais um motivo pra conferir. Conseqüentemente muito teatral, boas atuações (mesmo que às vezes exagerada, mas acho que a intenção era essa), Marília Pêra está maravilhosa (digam o que quiser, eu gosto muito dela), os figurinos, a fotografia e a música são ótimos.
Pronto, fiz minhas indicações. Quem sabe elas não sejam o início de um novo fôlego deste blog?
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aluísioazevedoeçarealimo223mercadoeditorialnegroadultérioinaf18%joãoeduardo
mulheres55homensauerbachautoconfiançaestereótipo4,3%homossexuais
gênerostextuaisconcluindo.
Não agüento mais.
Preciso de férias.
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Daniela Boccaccia Versiani
O trecho foi retirado de "A matemática da formiga". É um romance e eu indico.
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Eu estava bem perto de casa, sozinha, indo à locadora mais próxima devolver uns filmes. Usava uma calça jeans, tênis e uma camiseta bem longa e larga, com um desenho do Piu-piu e do Frajola, algo bem comportado, obviamente: às vezes, dependendo do que usamos, a culpa é nossa, não é isso o que dizem? Ele cruzava a calçada com uma maleta na mão, devia estar indo para o trabalho, voltando do intervalo do almoço. Disse, bem gostosinha, hein? e um sorriso malicioso. Tentei fingir que não vi e virei a cara e, segurando as lágrimas, apressei o passo e cheguei quase correndo na locadora.
Na minha cabeça todas as piores coisas aconteceram. Morri de medo de ser perseguida e estuprada. E já estava pensando que ia ficar tão machucada e traumatizada, que, mesmo após anos de terapia, eu acabaria me matando de tanta amargura, desgosto e infelicidade.
À parte o exagero, demorei ainda alguns meses para perceber, com a experiência, que nem todos os homens que berram insultos na rua são estupradores em potencial. Talvez porque a violência verbal me assustasse já um tanto. Como se entre ela e a violência, de fato, física tivesse só uma linha bem tênue.
Hoje os gostosa, princesa, assobios e gemidos em geral são quase imperceptíveis. Ignorados solenemente como barulhos de carros, de britadeiras, construções, e música ruim muito alta.
Aquilo foi em 1998. Já passamos do início do XXI. E eu ainda não ando sozinha na rua.
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Ah, no último dia 16 este blog completou 3 anos de existência! Não é lindo?
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até perceber que não tem fim nunca. apenas muda de nome de endereço de telefone. e aí quando acabar aí você morre ué. o que há de se fazer quando só restar um
abra a boca e diga aaaahhh.
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Ultimamente eu tenho encontrado papel higiênico na maioria dos banheiros da UnB. E eu não estou falando do banheiro da biblioteca, nem do do R.U. Impressionante.
Definitivamente alguma coisa está fora da ordem.
Será isso um presságio do fim dos tempos?
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Relação de Premiados - 2ª Edição do Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro
Olhem lá embaixo, no Escalão B - Prosa. Tem o meu nome lá!
Porque de alguma forma a gente tem de começar.
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Mudando de assunto...
À Deriva no Rio da Existência
Roberto Piva
abandonar tudo. conhecer praias. amores novos.
poesia em cascatas floridas com aranhas
azuladas nas samambaias.
todo trabalhador é escravo. toda autoridade
é cômica. fazer da anarquia um
método & modo de vida. estradas.
bocas pefumadas. cervejas tomadas
nos acampamentos. Sonhar Alto.
Só porque deu vontade de postar um poema. Porque o Piva é o máximo. E porque um dia eu ainda vou realmente mudar-pruma-cidadezinha-do-litoral-com-o-amor-da-minha-vida-vender-artesanato-hippie-e-ser-instrutora-de-mergulho.
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